CONHECENDO-SE
Nestes tempos de grande competitividade,
o homem busca avidamente preparar-se em todos os campos onde o seu intelecto é
chamado.
A conquista de títulos é cada vez mais
uma necessidade. Aperfeiçoar-se é urgência de tantos quantos desejam
diferenciar-se dos seus demais para deter a maior fatia da clientela humana
desejosa de especialistas e conhecedores, dos que esmiúçam a problemática
apresentando soluções concretas e certeiras. Porém, todo este esforço de
intelectualizar-se é motivado, na maioria das vezes, por interesses puramente
materiais e imediatos. Amontoar recursos passou ser a palavra de ordem almejando
prevenir um futuro farto, cheio de regalias que possa dar segurança e tranquilidade
material. Rogou o mestre querido ao homem meditasse: “a vida de qualquer um não consiste na abundância do que possui”.
O que não se pode esquecer é que se o
título não for produto comprado ao peso de vergonhosa e corrupta ação, ele é
valioso para a formação intelectiva do homem e sua conquista não pode oferecer
mais do que satisfação, gozo exterior, conforto passageiro, para logo surgir
nova necessidade podendo transformar–se em vício insaciável, extremando-se nos estapafúrdios
e esdrúxulos caprichos que, de tão exóticos expõem os seus detentores a
lamentáveis ridículos.
Indaga-se o homem por vezes sem
resposta: o que me falta? Para logo
responder-se: tenho tudo! Acostumado
a olhar para fora, para o que os seus olhos e sentidos podem abranger, se fia
apenas nas suas representações, esquecendo-se que o que é real não se pode ver;
está dentro de cada um. Surpreendido em solidão ou em ato inesperado e infeliz,
apavora-se sem entender de onde provém a força que o impele ao descontrole das
emoções. A falta de espiritualidade o prende ao mundo das formas. Disse Jesus: “ninguém pode servir a dois senhores”.
Quando interior e exterior estão
harmonizados, pode-se dizer que a vida tem sentido e que o homem está atendendo
a sua finalidade maior, que é a de progredir para ser feliz. A vida corrida e a
inversão de valores sociais não o estimulam a investigar-se, impedindo o
saudável hábito de se ver por dentro; o objetivo é o autoconhecimento. Quando
se sabe o que se passa no íntimo é possível tomar-se providências no sentido de
reforçar o que é bom e corrigir o que é ruim.
Um breve momento por dia em horário
neutro pode propiciar esta investigação, que é apenas contemplativa e não
acusatória, é só para que se possa identificar o que necessário ser mudado e ou
melhorado, para que a pessoa não seja surpreendida em sofrimentos
desnecessários ou deixando de realizar o que lhe poderia trazer muita alegria.
Colocar-se confortavelmente sentado e em silêncio em ambiente tranquilo;
perguntar-se, objetivando ouvir na acústica da alma: “o que necessito mudar ou melhorar para caminhar em paz? Aguardar
alguns minutos e encerrar o procedimento se nada surgir, para recomeçar no
outro dia; insistindo certamente a resposta aparecerá. Passa-se assim para a
segunda e ultima etapa que é a de rogar auxílio para a solução: “o que devo fazer para atender a esta
necessidade?” Depois de algumas tentativas a resposta será clara; quando a
pessoa se dispuser a aceitar o conselho que será veiculado ele virá dos próprios
arquivos espirituais ou pela permissão divina através de um dos seus
mensageiros; aí, é esforçar-se para colocar em prática.
Quem medita, reconhece-se e muda para
melhor.
A PAZ E A HARMONIA É POSSÍVEL MESMO EM
MEIO AO TUMULTO DA VIDA MODERNA, SE CONHECERMOS NOSSOS LIMITES E
POTENCIALIDADES.
Autor da mensagem: Adelvair David - publicada no Jornal "Folha Noroeste" em 24-11-11



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