segunda-feira, 4 de julho de 2011

REFLEXÕES



PIEDADE, CÉU NO CORAÇÃO

Os olhos produzem as lágrimas; o rosto feito rio caudaloso as conduzem na direção do coração, que as abriga. O peito aperta e a alma se expande, as mãos se movimentam e a dor do próximo encontra refúgio. Semelhante a elixir amargo, a visão das dificuldades dos outros costuma despertar o desejo de auxiliar; de fazer algo que possa minimizar-lhe o sofrimento, visando estancar-lhe o fluxo.
Sem dúvida na análise, compreendemos que este sentimento nascido em meio à tumultuosa tempestade emocional, ante a problemática alheia, que faz com que o coração se comova e deseje beneficiar, é a piedade. Nascendo na maioria das vezes dentro da penúria e privação do necessitado, promove verdadeira angústia no coração do piedoso, estimulando-o ao exercício da caridade sem mácula. Levado pelas asas da misericórdia eleva-o em sentimento e o aproxima do mesmo móvel que motivou os homens bons da humanidade a realizarem obras que marcaram para sempre os destinos humanos; o doce e silencioso amor sacrifício. Servindo de exemplo e inspiração, é até os dias de hoje, a iluminada estrada por onde caminham todos aqueles que laboram pelo bem estar do seu semelhante.
Enquanto a maioria reclama da falta de alguma coisa, a alma piedosa regozija-se na gratidão a Deus pelo que possui; que seja uma miserável moeda ou uma côdea de pão, acha sempre uma forma de dividir o quase nada que se torna tudo no seu coração generoso. As palavras destes lábios bondosos são bálsamos nas feridas abertas pela indiferença e indigência material, moral ou espiritual do coração sofredor.
Notoriamente, a maioria das criaturas humanas possui mais do que necessitam e vivem de forma como se lhes faltasse tudo. Sobra-lhes tempo, saúde, recursos materiais. Estão livres da solidão pela benção da família; possuem o recurso financeiro pelo notório e merecido esforço do trabalho; são lembrados e considerados por nobres amigos que lhes dedicam o coração. Mas nem por isso deixam alguns de sentirem-se vazios, ou de viverem insatisfeitos desejosos de acumular sem realmente saber o que pretendem com o que conseguirem.
É bom lembrarmos que as pessoas são mais importantes que as coisas, e que estas não podem ocupar o lugar que só o sentimento preenche. É importante iniciar-se a trajetória em direção à piedade. Este sentimento, um dia, fará da humanidade uma família, e só se verá concórdia e paz por toda parte.
Como as grandes coisas começam das menores ações, é importante iniciarmos o hábito das ações bondosas, pequeninas, que aos poucos vão tomando forma na alma, nos modificando para sempre, elevando-nos para a condição de ditosos, pela alegria compartilhada.
APIADA-TE, E SENTIRÁS UM PEDACINHO DO CÉU DENTRO DO CORAÇÃO.
Autor da mensagem: Adelvair David - publicada no jornal "Folha Noroeste" no dia 02 de julho de 2011.

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