O
TEMPO PERDIDO
É muito comum ouvirmos as pessoas dizendo
que estão aproveitando bem o seu tempo; que vivem sem tempo com tantos
afazeres.
Alguns homens se transformam em agendas
vivas. A correria cada vez mais ascendente parece não ser suficiente para o
atendimento de todas as exigências da vida moderna; as necessidades do “ter”, requerem sempre mais recursos
materiais, nunca suficientes.
É preciso observar que esta forma de
viver, tresloucada, tem um preço nada recomendável a se pagar. O corpo tem seus
limites; ultrapassados, passa a apresentar os problemas muito claros do exagero
e dos excessos, levando o indivíduo a complicações as mais diversas na sua
saúde; dentre os vários comprometimentos, em destaque o emocional, que assume
descontrole assustador. Encontramos uma sociedade cada vez mais neurótica, cheia
de manias e depressiva.
Quando alguém diz que está vivendo a
vida, referindo-se às muitas ocupações que possui, vemos tratar-se de um grande
engano de interpretação e compreensão do sentido do que seja a vida e o tempo.
Segundo as mais modernas teses psicológicas, a excessiva busca por
movimentar-se em descontrole ou de forma abusiva, é anuncio de fuga emocional. O
Espírito humano está em aprendizado neste mundo que é classificado como de
provas e expiações, onde cada um encontra-se situado na devida posição para
crescer, se modificar e principalmente aprender a amar o seu semelhante, não
apenas para correr atrás do que é transitório. Quando alguém está em harmonia
com os seus sentimentos, deseja experimentar a vida e não apenas passar por ela
realizando tarefas. Anseia pela experiência com os seus afetos, alegrando-se
por estar com eles e participando dos seus momentos. Quando trabalha, não visa
apenas angariar recursos financeiros, mas sim, a busca de um relativo conforto,
não se entregando aos extremos para juntar cada vez mais, sem ter tempo para
usar. Necessita de espiritualidade e procura buscá-la para aprender a servir e
agradecer a Deus.
Observamos pessoas que ao final de um
período de suas vidas, principalmente na senectude, lamentarem como eles mesmos
dizem, de não terem “curtido” as
coisas simples que se passaram e não foram percebidas. Deixaram para trás os
filhos que cresceram, os netos que já são pais, os amigos que se mudaram ou se
foram para a vida espiritual. Ouvimos certa feita de um senhor cujos cabelos já
possuíam a neve do tempo: “Se eu pudesse,
voltaria apenas trinta anos e faria tudo diferente”... “De que valeu correr
tanto, se hoje me sinto tão só e tão vazio”. Embora tenha o mérito de ter
trabalhado muito, juntado tanto, nada lhe faz sentido, senão a saudade daqueles
com quem não conviveu, do tempo que, segundo ele, perdeu.
Asseverou Jesus: “Tratai de Juntar tesouros no céu[...]”. O céu a que Ele se referia é o sentimento,
é o coração. São os valores morais e espirituais que sustentam a vida em
qualquer época e lugar, conferindo brilho ao olhar e ânimo para os
enfrentamentos naturais.
Para aquele que tentou preencher o vazio
que herdou das existências pretéritas, correndo de maneira desenfreada para
todo lado, o tempo se apresentará perdido na avaliação da consciência, posicionando-o
em grande desconforto.
O MELHOR TEMPO É ESTE. COMO APROVEITÁ-LO?
SENTINDO-O.
Autor: Adelvair David - publicada no jornal "Folha Noroeste" em 28-01-12